Artigo 13
Tempo rei
07 de setembro de 2026
Experiência
Muitas vezes, na correria do dia a dia, ouvimos alguma coisa ou vivenciamos uma situação que, naquele momento, passa quase despercebida.
A lição foi dada, mas talvez ainda não estivéssemos preparados para aprendê-la.
É como o aluno que deixa para estudar na véspera da prova. O conteúdo estava ali, disponível, mas não houve tempo ou atenção suficiente para transformá-lo em conhecimento. Mais à frente, aquele aprendizado pode fazer falta justamente quando precisamos enfrentar os problemas que surgem pelo caminho.
Uma dessas lições que tive, e que ainda continuo aprendendo, é o valor do tempo.
Nossa vida, nossa caminhada, pode ser dividida em fases, com começo, meio e transição. Não digo fim porque, dentro daquilo em que acredito, não existe propriamente um fim. A caminhada continua.

Alguns aprendizados chegaram até mim por meio de músicas de grande sucesso, antigas, que ouvi ainda jovem. Às vezes fico pensando se as pessoas que ouviram e cantaram aquelas músicas pararam para refletir sobre o que suas letras diziam.
Em 1982, ouvi a canção “Pedágio”, de Moacyr Franco. Eu tinha 14 anos, e um de seus versos me marcou profundamente:
“Só se vive mesmo nove meses, pois o resto, amiga, a gente morre.”
Na época, aquilo me impactou muito.
Durante a gestação, ao longo de nove meses, crescemos dia após dia, preparando-nos para conhecer o mundo externo. Movemo-nos, nos desenvolvemos e, de alguma forma, já começamos nossa caminhada.
A partir do momento em que somos apresentados ao mundo, algo muda.
Continuamos crescendo, naturalmente, mas o tempo também começa a nos transformar.
Crescemos.
Amadurecemos.
Envelhecemos.
E, pouco a pouco, percebemos que existe uma contagem que nunca para.
O tempo segue em frente.
Não pode ser pausado, negociado ou convencido a esperar.
O tempo é rei.
Na canção “Tempo Rei”, de Gilberto Gil, lançada em 1984, há outro trecho que sempre me chamou atenção:
“Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei
Transformai as velhas formas do viver…”
Considero pura poesia a serviço do conhecimento.
O tempo, à medida que passa, transforma a todos e a tudo.
Montanhas mudam.
Rios mudam.
Cidades mudam.
Pessoas mudam.
Nada escapa completamente ao tempo.
Certezas podem se transformar em dúvidas. Dúvidas podem encontrar respostas. E algumas respostas que pareciam definitivas deixam de fazer sentido.
A lição é dada continuamente.
Quem tem ouvidos, que ouça.
Mas não basta ouvir: é preciso pensar.
Às vezes repetimos durante anos as palavras de uma música sem refletir sobre elas. A mensagem estava ali o tempo todo; talvez nós ainda não estivéssemos prontos para entendê-la.
Essas duas canções me trouxeram um aprendizado importante: respeitar o tempo, aceitar que a mudança é inevitável e valorizar os bons momentos porque eles passam.
Os maus momentos também passam.
Assim é a vida.
Reflexão
Apesar das lições diárias, não sou perfeito.
Ainda há muito a aprender e, principalmente, a praticar para que o conhecimento deixe de ser apenas uma ideia e passe a fazer parte da forma como vivo.
Muitas certezas que eu tinha aos 20 ou 30 anos caíram por terra.
Naquele momento, talvez me faltassem experiências para enxergar determinadas situações de outra maneira.

Talvez aquilo que hoje consideramos correto também possa mudar ao longo do tempo.
Mas será que tudo muda?
Acredito que não.
Existem princípios, valores e coisas que continuam merecendo ser preservados apesar da passagem do tempo.
Talvez amadurecer seja justamente aprender a distinguir aquilo que precisa mudar daquilo que merece permanecer.
Para mim, existe uma espécie de indicador de importância.
Aquilo que produz paz, harmonia, significado e felicidade genuína provavelmente merece continuar presente em nossa vida.
O tempo transforma muita coisa. Algumas mudanças precisamos aceitar; outras precisam partir de nós.

Mude o que precisa mudar, mas não perca de vista aquilo que faz sua vida valer a pena.
Pergunta
Existe algo que você considera importante preservar em sua vida, mesmo com todas as mudanças trazidas pelo tempo?