Artigo 02
Uma caixa de fósforos no peito
13 de agosto de 2026
Experiência
Anos atrás, enquanto estudava espanhol, li um livro que me impressionou muito: Como Água para Chocolate, romance da escritora mexicana Laura Esquivel, que posteriormente também ganhou uma adaptação para o cinema.
Ler um livro nos permite viajar pelas histórias narradas. Imaginamos os personagens, os lugares e os acontecimentos e, pouco a pouco, mergulhamos naquele universo.
Em um dos capítulos, encontrei uma passagem que ficou comigo. Por meio de uma metáfora, o livro apresenta uma explicação para aquilo que acontece quando uma pessoa vai perdendo, aos poucos, o entusiasmo pela vida.
A ideia é que todos nós carregamos dentro de nós uma espécie de caixa de fósforos. Precisamos de experiências capazes de acender esses fósforos e produzir o calor que nos mantém vivos por dentro.
Amor, amizade, sonhos, descobertas, encontros, viagens, realizações, pequenos prazeres — cada pessoa encontra suas próprias formas de produzir essa chama.

Reflexão
Quando deixamos de alimentar aquilo que nos traz entusiasmo, os fósforos vão deixando de ser acesos. O calor diminui e o frio começa a ocupar seu lugar.
A responsabilidade de manter essa chama acesa é de cada pessoa. É intransferível. A partir do momento em que tomamos consciência disso, buscar aquilo que nos traz alegria, satisfação e sentido passa a ser também uma responsabilidade nossa. Sempre respeitando a jornada do outro, que, à sua maneira, também está fazendo suas próprias buscas.
Na época em que li esse livro, trabalhava em outra cidade. Saía de casa de madrugada e voltava à noite. Para manter minha chama acesa, procurei encontrar sentido no que fazia. Dediquei-me ao trabalho e aos estudos.
Mas ainda faltava alguma coisa.
Faltavam experiências.
Em 2002, tive a oportunidade de fazer minha primeira viagem ao exterior. Fui ao Canadá com um grupo de jovens para participar da Jornada Mundial da Juventude, que naquele ano contou com a presença do Papa João Paulo II. Durante parte da viagem, ficamos hospedados em casas de famílias de uma pequena cidade canadense e fizemos uma verdadeira imersão na cultura local.

Foram dias que jamais esquecerei. Encontrei jovens de diferentes nacionalidades, costumes e idiomas, convivendo e trocando experiências. Tivemos dias de sol, dias de chuva e noites mal dormidas, mas tudo valeu a pena. Faria tudo novamente se pudesse.

Mais do que o evento em si, aquela viagem me colocou diante de experiências que até então eu só conhecia pelos livros ou pela televisão: outro país, outra cultura, outro idioma, outras pessoas e outras formas de viver.
Aquilo me marcou para sempre. Eu me senti realmente vivo. Era como se novos fósforos tivessem sido acesos em meu peito.
Pergunta
O que você faz para manter seus fósforos acesos?