Artigo 08
Fazer escolhas: entre o que ganhamos e o que deixamos para trás
22 de agosto de 2026
Experiência
Quando chegamos a este mundo, não recebemos um manual de como as coisas funcionam. Somos totalmente dependentes de outras pessoas. Enquanto aprendemos a andar, entre um tombo e outro, recebemos incentivo para continuar e tentar novamente. Aprendemos a falar pela insistência de outras pessoas, que falam conosco e nos perguntam coisas.
A vida segue, crescemos e chegamos ao momento de fazer escolhas. Algumas são bem simples: o que vestir, o que comer, que horas ir dormir etc. Outras exigem reflexão, uma pausa para avaliar o que perdemos e o que ganhamos.

Cada escolha significa uma renúncia
Em nossa mente, vemos claramente o que perdemos e deixamos para trás ao fazer uma escolha. O lado positivo, quase sempre, é minimizado, mesmo que a promessa de melhora seja grande.
Trocar o concreto, mesmo que não seja perfeito, por algo abstrato, por uma possibilidade, é algo que muitas vezes evitamos.
Muitas vezes desejamos muito algo e, quando finalmente chega, temos medo de dar o próximo passo. Como se estivéssemos queimando pontes e, uma vez tomada a decisão, ela fosse para toda a vida.
Mudar de emprego, mudar de cidade ou de país são decisões que podem envolver outras pessoas. Isso não nos impede de mudar, apenas aumenta a necessidade de reflexão.
Quanto estamos dispostos a “pagar”?
Pagar no sentido de abrir mão de coisas que são importantes: a presença no dia a dia, a proximidade com a família e os amigos, nossa rotina já conhecida e, muitas vezes, alvo de nossas constantes reclamações.
Quando trabalhava em São Paulo, saía de madrugada e voltava para casa à noite. Nos feriados que existiam apenas em São Paulo, enquanto a vida seguia normalmente na cidade onde moro, eu gostava de ir a uma praça bem no centro da cidade e simplesmente observar.
Via as pessoas indo para seus compromissos, crianças entrando nas creches e escolas, o comércio funcionando e a vida acontecendo. Coisas simples, que já não faziam parte do meu cotidiano.

Aquilo tinha um enorme valor para mim.
Para as demais pessoas, era um dia comum. Apenas mais um.
Muitas vezes só descobrimos o valor daquilo que uma escolha nos custou depois que já fizemos a escolha.
Fazer escolhas faz parte do nosso dia a dia, desde o começo do dia até o momento de dormir.
Deixar que outra pessoa decida por nós não tira de nós a responsabilidade pela escolha.
É nossa vida, é nossa história sendo escrita, capítulo a capítulo.
Nós decidimos as portas que queremos abrir.

Reflexão
Quando olho para trás e vejo as decisões que tomei e aonde cheguei, penso que poderia ter feito algumas coisas diferentes. Mas, se hoje consigo ter essa consciência, foi exatamente pelas experiências que vivi. Se não tivesse feito as escolhas que fiz, talvez não pensasse assim hoje.
O que entendo é que o importante é saber que as escolhas não são necessariamente definitivas. Independentemente do resultado, cada escolha pode gerar experiências e aprendizados que levaremos para as próximas.
Pergunta
As escolhas que você fez até aqui o levaram aonde você queria chegar?
Se pudesse, mudaria alguma delas?