Artigo 12

Você quer dançar?

03 de setembro de 2026

Experiência

Nasci numa época em que havia bailinhos nas casas do bairro, promovidos pelos adolescentes que moravam ali. Os frequentadores eram outros meninos e meninas da vizinhança, geralmente entre 12 e 16 anos.

Na escola do bairro, onde estudei da primeira à oitava série, também me lembro das festinhas organizadas pelos alunos.

O tempo passou, mas esses momentos de festa, em que a dança estava presente, continuaram me acompanhando.

Bailinho de bairro, lembrando as festas da juventude

Dançar sozinho, em grupo ou em casal?

Houve uma época em que a dança country virou moda, com aqueles passinhos decorados: ponta do calcanhar, passo à frente, giro e começa tudo de novo.

Nos salões dos clubes, os passos eram executados em bloco. Via-se um grupo de pessoas, muitas vezes com as mãos na cintura, repetindo os movimentos que haviam sido treinados várias vezes.

Nunca tive muita coordenação para acompanhar grupos repetindo sequências de passos. Até tentei. Fui a uma aula antes de um baile country e a experiência foi desastrosa.

Anos se passaram até que encontrei a dança de salão em uma escola da minha cidade.

Aprendi do zero. Literalmente.

Aprendi a respirar, manter o abdômen firme, dançar no sentido anti-horário, conduzir a dama e, principalmente, manter a calma.

Descobri que a condução é uma arte.

É preciso planejar o próximo passo e conduzir a parceira com suavidade e cuidado. Também é preciso estar disposto a aceitar o erro e entender que cada pessoa está em um nível diferente de aprendizado.

Estamos aprendendo sempre.

Quando algo não acontece como planejado, seguimos adiante e aproveitamos o momento da dança.

Lembro que a escola fez uma apresentação em um shopping durante a semana da mulher, no mês de março.

Havia alunos veteranos e alunos novos. Eu estava no nível intermediário.

Começaram com uma aula de exibição, e eu fiquei apenas assistindo. Depois fizeram um pequeno baile em plena praça do shopping.

As pessoas circulavam, faziam compras e passeavam enquanto os alunos dançavam.

Aquela cena me fez lembrar dos bailinhos da época em que eu era criança.

Alunos de dança de salão dançando na praça de um shopping

Chamei para dançar uma aluna que havia começado as aulas poucos dias antes.

Ela disse que não sabia dançar, que tinha medo de errar e sentia vergonha.

Então falei:

Quem está olhando não sabe se o passo está certo ou errado. Talvez esteja até morrendo de vontade de estar no seu lugar, dançando em pleno shopping. Quando alguma coisa der errado, vamos sorrir e continuar. Muitos que sabem dançar estão sentados apenas olhando. Portanto, vamos aproveitar.

Reflexão

Quem espera saber tudo para começar corre o risco de nunca começar.

Na vida, em vários momentos somos colocados à prova.

Nem sempre eu disse sim e aceitei os desafios que apareceram.

Conheço pessoas que enfrentaram situações desconfortáveis e encararam o desconhecido. À distância, ajudei muitas delas. Ligavam para mim, mandavam dúvidas e perguntavam sobre coisas que eu dominava.

Elas aceitaram enfrentar desafios para os quais eu tinha conhecimento, mas eu mesmo achava que ainda não estava pronto.

Às vezes sabemos muito, mas permanecemos sentados.

Outras pessoas que sabem menos, levantam e começam.

As aulas de dança também me ensinaram a conhecer melhor meu próprio corpo e a conduzir uma dama pelo salão.

É preciso planejar os próximos passos, observar o espaço, proteger a parceira e manter a calma ao longo da música.

Mas nem tudo acontece como planejado.

E precisamos estar preparados para isso.

Na dança, assim como na vida, podemos planejar o próximo movimento, mas não controlar tudo o que acontecerá.

Talvez uma das maiores lições da dança esteja justamente aí.

Devemos nos preparar, mas não podemos prever tudo.

Casal sorrindo e continuando a dança mesmo executando um passo diferente dos demais

E enquanto pensamos no próximo passo e seguimos girando pelo salão, não podemos esquecer de aproveitar o momento que estamos vivendo.

Quando a oportunidade chegar, dance. Ou melhor: agarre-a.

Quem espera estar preparado pode perder oportunidades e, no final, descobrir que ninguém está completamente preparado.

Algumas pessoas apenas aprenderam a conduzir e enfrentar os problemas conforme eles aparecem.

A vida também nos coloca diante dessas situações.

Devemos nos preparar e aprender com nossos erros e acertos.

Afinal, a vida sempre tem algo a nos ensinar, e a música não para.

Pergunta

Quantas vezes ficamos sentados, esperando estar preparados, enquanto a música já está tocando?


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Silvio Lima

Autor do Alimentar a Alma.

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